A procura por profissionais bilíngues é uma demanda real e crescente. Mas o mercado ainda é carente de pessoas que, na prática, consigam se comunicar em outro idioma com fluência. Uma pesquisa salarial feita pela Catho, empresa de currículos e vagas on-line, analisando mais de 2 mil cargos em 19 mil empresas em todo o Brasil, apontou que o grau de conhecimento em uma segunda língua pode aumentar o salário de um profissional em até 51%, considerando as mesmas vagas para candidatos sem a mesma qualificação. Segundo a pesquisa, um profissional que não fala inglês e vai ocupar um cargo de supervisão recebe uma média de R$ 3,1 mil, enquanto que um trabalhador que fala inglês, para a mesma vaga, pode receber uma remuneração média de até R$ 4,7 mil. 

Para a professora de gestão de pessoas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ana Paula Simões, o estudo de outra língua é essencial para uma boa colocação profissional. "Além disso, há estudos na área da neurociência que afirmam que pessoas fluentes em outra língua são mais criativas, têm maior flexibilidade mental e também mais facilidade para desenvolver ideias e para se relacionar com outras pessoas e culturas. Então ele acaba sendo um profissional mais preparado", acredita. 

E para ela, não somente o profissional ganha com essa qualificação, mas a corporação também. "O funcionário que entende outro idioma fica atento ao que está acontecendo em outros lugares do mundo, podendo trazer uma inovação para a empresa, que ainda não tinha chegado aqui e que pode garantir uma fatia importante do mercado. E as inovações acontecem muito mais lá fora do que aqui", ressalta. A professora alerta ainda que não somente as empresas multinacionais estão precisando de profissionais bilíngues, por isso a oferta de vagas com essa característica cresceu. "Observamos que existe uma demanda por este tipo de profissional porque hoje a maioria dos negócios é realizada internacionalmente, mas mesmo quando o mercado daquela corporação é brasileiro, ou somente local, muitas vezes os concorrentes dela são de fora. Por isso, ter funcionários e gestores que se comuniquem e fiquem atentos a tudo o que está acontecendo, auxilia a empresa nesse processo de observar a concorrência. Assim ela ganha competitividade." 

Por isso, ela ressalta que a empresa deve valorizar o funcionário que tem esse tipo de qualificação e realmente vai usá-la no dia a dia. "No caso de um setor com dois contadores - um bilíngue e o outro não -, aquele que precisa se comunicar em inglês para cumprir uma tarefa relacionada ao trabalho do departamento deve ser melhor remunerado, já que é uma peça central e importante para a empresa". Para haver valorização do funcionário, ela sugere que haja uma política de remuneração adequada à competência de cada funcionário. "Senão ela também corre o risco de perder esse funcionário para outra corporação." 

Fonte: Folha de Londrina, 24 de novembro de 2014.