O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no Censo da Educação Brasileira, divulgou que ao término do ano letivo de 2013 pouco mais de 991 mil estudantes concluíram o ensino superior no Brasil. Para quem ainda está nos bancos da faculdade, pode parecer um número muito grande para que o mercado de trabalho absorva todos os profissionais recém-formados, e é por isso que é necessário destacar-se de alguma forma para que a chance de ser contratado por uma empresa, na mesma área de formação, logo nos primeiros meses após a formatura, seja maior. Outros ainda têm um problema maior do que simplesmente ingressar no mercado, que é: definir por onde começar a procura pelo tão sonhado emprego?
A coaching Nicole Tomazella, que costuma aconselhar jovens recém-formados que estão preocupados com a colocação no mercado de trabalho, garante que a maioria sente muita insegurança sobre como fazer currículo e se comportar em entrevistas e também decidir qual é a melhor área profissional a seguir, além de ter a sensação de que não tem o conhecimento suficiente para trabalhar. "Isso sem contar a incerteza sobre ter realmente escolhido o curso certo, e ter medo ou insegurança de pensar em um curso ou profissão nova. É a passagem do status de estudante para o de profissional". Segundo ela, o mais importante, ao concluir o curso universitário, é que o jovem profissional consiga pensar e analisar o que ele realmente quer. "Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, pois são poucas as instituições de ensino que realmente ensinam o jovem a se questionar sobre isso. A verdade é que se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve", salienta. "Autoconhecimento e fuga dos modismos ajudam a fazer boas escolhas."
Para começar a busca por um emprego, já que muitas faculdades abrem um leque enorme de possibilidades de atuação no mercado de trabalho, uma questão importante que o jovem pode analisar é: "Se você não precisasse se preocupar com dinheiro, o que você gostaria de fazer?", segundo Nicole. "Essa pergunta geralmente traz ótimas respostas, porque muitos jovens saem da faculdade querendo ganhar dinheiro para não precisar depender financeiramente dos pais. Então, ao perguntar isso, já elimino um problema. A resposta a essa pergunta costuma remeter o real significado de trabalho para o jovem". Para ela, a resposta do jovem profissional sobre o que realmente quer fazer pode conter um dos três aspectos: fazer algo que impacte para si mesmo, como fama, reconhecimento, status; fazer algo que impacte um grupo de pessoas específicas, como ajudar jovens que não sabem o que fazer da carreira, ajudar pessoas a terem melhor qualidade de vida, por exemplo; ou mesmo que impacte a sociedade em geral, como descobrir a cura para alguma doença, realizar um projeto social, fazer programas de ajuda ao meio ambiente.
Além dessa pergunta, ela afirma que gosta de incentivar o jovem a se imaginar em algumas situações específicas de rotina de trabalho. "Desde pensar em trabalhar em uma sala fechada, no computador, ou trabalhar fora da empresa, ficar mais em contato com máquinas ou pessoas, resolver questões de trabalho por e-mail ou pessoalmente, se pensa em ser líder ou se quer resolver problemas operacionais, entre outros".
ESTÁGIO E TRAINEE
No entanto, apesar de toda a análise que o graduado possa fazer internamente sobre qual caminho seguir, uma das principais ações que pode ajudar na escolha ou início da vida profissional na área escolhida é fazer estágio ou programa de trainee antes de concluir o curso. "Ao fazer estágio há uma possibilidade dele ser contratado ao fim do ano, principalmente quando ele não se comporta como simples estagiário, ou seja, se ele questiona, procura entender o processo de trabalho, quer entender o porquê daquela atividade ser importante, e não reclama de estar fazendo só aquilo. E o segundo motivo é que o estágio contribui para desenvolver habilidades que o ensino teórico não permite, principalmente sobre resolução de problemas e conflitos, lidar com hierarquias e trabalho em equipe."
Se por algum motivo não houve possibilidade para estágio ou trainee, o jeito é terminar a vida acadêmica e colocar a mão na massa. "O diploma tem que oferecer essa oportunidade. A grande maioria dos jovens que inicia sua carreira começa pequeno. Vai ter um cargo e um salário que ainda não é dos sonhos. Mas tem que ser dado esse primeiro passo. Primeiro emprego, primeiro registro em carteira, primeiros conflitos. É o caminho natural (para crescer na profissão)", finaliza.
Fonte: Folha de Londrina, 05 de Janeiro de 2015.