A cesta básica acumulou alta de 17,86% em Londrina em 2014, puxada pelas altas expressivas da batata (100,04%), do tomate (78,6%), do café (12,11%), do leite (10,83%) e da carne (9,97%). Em um ano, o kit de 13 produtos ficou cerca de R$ 150 mais caro para uma família de quatro pessoas, saltando de R$ 800,42 em janeiro para R$ 943,38 em dezembro. Para uma pessoa, o valor subiu de R$ 266,81 para R$ 314,46 no mesmo período. No último mês do ano, a alta da cesta foi de 11,67% em relação a novembro, também com destaque para a batata (112,16%) e tomate (45,46%), seguidos do feijão (22,60%). 

Flávio Oliveira dos Santos, professor da Faculdade Pitágoras e economista responsável pelo levantamento da cesta básica, ressalta que o aumento da carne é o mais preocupante, em função do peso do produto no valor final da cesta, entre 40% e 46%. "As verduras tendem a cair de preço com o aumento da oferta; já a carne não vai cair, porque a gente exporta muito e tem alta demanda interna", explica. 

Santos destaca que o coxão mole (base para a pesquisa) conta com promoções recorrentes nos supermercados e, não fosse isso, o aumento da carne seria ainda maior, uma vez que alguns cortes bovinos chegaram a registrar até 30% de alta no período de fim de ano. A dica para economizar continua sendo pesquisar preços, buscar promoções e, em último caso, consumir menos carne, "como uma forma de pressionar as empresas a baixarem os preços", indica ele. 

O economista ressalta que o acumulado de 17,86% de alta da cesta básica representa três vezes mais que a inflação oficial, que deve fechar próxima ao teto da meta, de 6,5%, em 2014. "Se continuar assim, o aumento real do salário mínimo vai ser corroído", alerta. 

Controle
Entre os londrinenses predomina a sensação de que os preços aumentaram e devem continuar aumentando em 2015. Por isso, muitos deles têm mudado os hábitos ou alterado o cardápio. "Tudo que se comprava de meia dúzia, uma dúzia, agora são dois ou três", declara a aposentada Maria Lúcia Cervantes. Para ela, que pesquisa cuidadosamente os preços, o consumo de carne de boi diminuiu. 

"Você tem que comer o que está mais barato; estou levando linguiça e frango, já o ‘bifinho’ que a gente gosta vai ficando de lado", reclama. "A gente vem para o mercado triste". A dona de casa Sônia Maria Marques considera difícil cortar algum tipo de alimento, mas usa de estratégias, como a lista de compras, para evitar gastos excessivos. 

"Algumas coisas estão mais caras, no fim do ano a batata foi lá em cima; tem que procurar e quem compra no dinheiro sabe onde é mais barato", afirma. A contadora Maria Esgoti espera tempos difíceis este ano. "Com a crise vai aumentar os preços, porque, como o governo vai cobrir o rombo?", questiona. 

Fonte: Folha de Londrina, 06 de Janeiro de 2015.