Entre junho do ano passado e maio deste ano, 96 moradores de rua se cadastraram junto à Agência do Trabalhador em Londrina. Durante este período, a população que vive nos abrigos recebeu um atendimento especializado criado por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Assistência Social e a Agência do Trabalhador, que pertence ao Sistema Nacional do Emprego (Sine). No entanto, o programa foi suspenso por falta de funcionários na agência que realiza uma média de 10 mil atendimentos por mês.
A secretaria busca agora alternativas para não interromper definitivamente o projeto. Segundo a diretora de Proteção Social Especial da secretaria, Nivea Maria Polezer, os profissionais da assistência social reforçaram a importância da parceria para agilizar a inserção dos moradores de rua no mercado de trabalho. "Pretendemos marcar uma reunião em breve para que essa proposta não se perca. A parceria é extremamente necessária e nós vamos lutar para que isso não se acabe", destacou.
Os funcionários da Agência do Trabalhador participaram de três meses de capacitação. Para a técnica de Gestão Pública, Paula Carolina de Souza, que atua na Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Renda, o balanço foi positivo. "A ideia foi muito bacana, mas sabemos das dificuldades dos candidatos. Nem todos os que foram encaminhados conquistaram uma oportunidade. Do total de 96 pessoas cadastradas, 13 foram admitidas. Algumas empresas colaboraram e nos ajudaram com a oferta de vagas", ressaltou. Com a suspensão do atendimento direcionado de acordo com o perfil dos candidatos, a população de rua é atendida junto com o público em geral.
Desafio
A reinserção no mercado de trabalho é um desafio diário especialmente para quem vive nos abrigos. A psicóloga do Serviço de Obras Sociais (SOS), Andrea Barreto Luiz, comentou que muitas pessoas atendidas pela instituição possuem experiência na área da construção civil. "Eu entrevistava os interessados, fazia avaliações técnicas e fazia o encaminhamento ao Sine", explicou. Quem conquistava a vaga de trabalho era incentivado a ter uma vida independente, mas ainda mantinha vínculo com a instituição por meio do atendimento parcial com consultas semanais com a psicóloga.
"A experiência foi ótima, mas nem todos retornaram para esta consulta semanal. A gente não sabe ao certo quantas pessoas continuam nos postos de trabalho. Eles melhoraram a autoestima, mas muitos retornaram ao vício do álcool e das drogas", lamentou.
Fonte: Folha de Londrina, 09 de julho de 2014.